sábado, 3 de novembro de 2012

Cansaço


Ando me cansando...
Tenho me cansado de corpos, de ódios e amores.
É esta minha metamorfose, reinventar-me no cansaço!
Quero a rua, quero o prazer, quero as músicas, os livros. Quero tudo e não quero nada!
Quero meu quarto com o cheiro de livros. Quero-o escuro! Sem brilho, opaco. Quero-o somente comigo!
Não quero fechar a porta! A fechadura não precisa estar quebrada, quero que ele fique assim, aberto! Mas não entre! Quero ficar sozinho!
Minha cama me basta, meus lençóis me aquecem...
Ando cansado de tudo!
De santidades e revoluções!
Quero ficar aqui, só aqui...
Entre meus livros e escritos; fotografias, lembranças; Ney, Caetano e Bethânia!
Quero ficar sozinho, somente isto!
Poderíamos adiar o reencontro. Mas como fazer isto sem adiar a vida? Como congelar o tempo sem dilacerar os corpos?
Eu poderia correr, poderia fugir...
Posso me embriagar, e o vinho não dará conta de tudo. Tem certas coisas e espaços que o vinho nada pode fazer.
A pista parece ser minha. Ela é só minha! Não vejo mais ninguém. Apenas as luzes que não me levam em lugar algum.
Sem luz me sobra a bebida da madrugada. Sobra-me o estranho que insiste em me acompanhar... O estranho nada pode fazer, apenas me devorar.
Quero ficar sozinho... Sem você, sem nada!
Sem mensagens, sem telefones. Estarei bem, eu sempre fico bem!
Não darei gritos e nem cairão lágrimas. O sorriso estará estampado.
Poderei me enganar no cotidiano. Nos escritos, nas poesias e nas músicas.
Mas o que é a vida senão um auto enganar-se?