quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um amor não amado

Saber que alguém nos ama é sempre bom,
É algo meio confortável.
Compreendo que há um esforço enorme em você me agradar.
O agrado lhe corta, eu sei que lhe corta.
Você tenta a todo custo me satisfazer,
Me conquistar.
O amor não é feito de dívida,
O amor não é algo a ser pago,
Ou se ama, ou não ama.
Sei lá...
Posso estar falando bobagens.
Afinal, não sou a pessoa mais indicada a falar de amores.
Como você mesmo diz, eu nunca amei ninguém.
E quem pode falar do meu amor?
Quem pode falar da minha dor?
Só eu sei como tentei lhe amar.
Seria tão mais fácil para mim.
Sua respiração muda ao falar comigo.
Ficas ofegante a cada palavra que pronuncio.
É audível quando você me liga nos diferentes lugares que estou.
Diferentes tempos e espaços.
Agora você vai partir,
Com a chamada ainda na espera.
A espera de algo que não sei lhe dar,
O tempo passará,
E você vai resistir...
Ei de permanecer por algum tempo.
O amor tem sempre um "q" de sofrer.
Que você não desista de amar,
Podes me esquecer,
Mas for favor, continue amando.



Ausência de Carol

Sem milho assado, 
Sem amendoim cozido,

Sem biscoito avoador,
Sem quentão e licor.

Sem fogueira pra aquecer,

Sem sanfona pra forrozear.

Sem banderola,

Sem balão,

Sem pé-de-moleque.

E sem você.

Êta São João besta, meu Deus!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sim, essas manifestações tem um recorte racial, classista, dentre outros bem definido. Me perguntava onde estavam as velhas bandeiras dos movimentos do campo, dos atingidos por barragens, do movimento indígena, das mulheres, dos LGBT’s, dos sem tetos, sem universidades, dos sem dignidades...Do povo brasileiro que tem acordado há muito tempo.

Eram click’s e flashes aqui e acolá. Todo mundo querendo fazer parte da “revolução”, entrar para a “história”. O Brasil acordou? Não tenho uma opinião fechada acerca dessas manifestações. Acredito que podem ser válidas, afinal são outros segmentos de nossa sociedade que estão despertando.

Ao abrir a bandeira do movimento LGBT, que não conseguiu ficar aberta por muito tempo, um grupo de estudantes se afastou em meio a risadas e chacotas, não querendo com esse nenhuma vinculação. E faltou gente para peitar e carregar a “bandeira”. Na chegada do movimento da população de rua, as frases eram: “Olha aí os nóias”. Ao término da manifestação, alguns reclamavam do ônibus cheio e o cheiro do suor que exalava pelo veículo. E o ponto de parada era o próximo ponto de táxi. Sim, são manifestações de uma camada que pode e acredito estar querendo aprender e fazer diferente. E este é um dos motivos que me faz estar junto, mesmo me revirando o estômago em algumas situações.

Hoje levantei uma reflexão com alguns amigos do trabalho sobre a frase mais dita na caminhada: “Vem pra rua!”. Mas quem estava na rua? Com certeza não eram os morros e as demais periferias de Vitória. Não me assustei quando uma colega me respondeu: “O morro não desceu porque eles tem bolsa tudo.” Volto a me perguntar: Onde estão as pautas cotidianas nessas manifestações? Por que os movimentos que sempre marcharam e tomaram as ruas não tem tido pertencimentos com essas manifestações? Se você encontrar alguma, será a “exótica” em meio a multidão, como a plaquinha que eu carregava pontuando uma das reivindicações do movimento indígena, objeto que muitos “curiosos” fizeram questão de fotografar.

Volto a dizer, o Brasil não acordou! Adorno nos diz que (re) elaborar o passado é sempre necessário. E citar Adorno, considerando sua vinculação de classe é oportuno nessa situação. É necessária uma (re) elaboração do passado para um esclarecimento e consequentemente uma emancipação. Neste sentido, cabe dizer que certos segmentos e grupos da população brasileira estão acordados há muito tempo.



terça-feira, 28 de maio de 2013

E o tempo há de passar manso,
sereno e tranquilo.
Navegante de muitas águas.
Hoje tomarei o curso do "Meu Rio".

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Escola?

Tudo gradeado,
Portão cerrado,
07h.00 em ponto.
Sirene a bater.
"Atenção! Todo mundo pra fila."
"Pra fila!"
"Não estão me escutando?"
"Meninos de um lado,
Meninas do outro".
"Pra fila!"
"Vocês sabem que tem que ficar em forma para fazer a oração."
"Seus pais não ensinaram que na hora da oração tem que ficar em silêncio?"
Risadas,
Conversas...
"Vamos fazer nossa oração universal. Pai nosso que estás..."
Tsc, tsc, tsc...

domingo, 12 de maio de 2013

Carnaval em dois choros


Só agora parei para refletir um pouco sobre o nosso carnaval. Já vivi muitos sentimentos contigo. Já senti você alegre, feliz; já presenciei você com medo, angustiado... Já senti teu amor.

No carnaval, pela primeira vez eu vi você chorar. Sempre há tempo para se permitir novas emoções. Dois choros... Dois sentimentos... Um mesmo homem. Confesso que não fiquei à vontade vendo-o chorar. O choro ainda está representado como algo ruim. Crescemos ouvindo: “cala boca menino! Pare de chorar! Homem não chora! Você já está grandinho para ficar chorando”. O choro ainda vem atrelado a algo que não deve ser cultivado. E ver quem amamos chorando, nos causa no primeiro momento uma sensação de impotência.

No teu primeiro choro encontrei um homem acuado, com medo dos anos que chegam. Também já me senti assim, e às vezes, compartilho desse sentimento. Os anos pesam, a maturidade nos exige sempre mais e mais... E a vida é descortinada a cada dia, sem muitos dos sonhos que outrora tínhamos na meninice.  Mas a vida é para ser vivida, para ser deliciada... Que os anos pesem, mas que não nos tirem a doçura!

O segundo choro, este me dilacerou. Ouvir você soluçar naquele táxi e sentir tuas lágrimas descerem me fez perceber mais uma vez o quanto és importante e especial para mim. E a vontade era que aquela dor e humilhação cessassem. Que eu pudesse fazer parar com minhas palavras, com meus abraços, com meus beijos... Com o meu amor. A homofobia nos fragiliza, mesmo sabendo que somos mais do que dizem e pensam sobre nós! E não foi fácil lhe ver ferido e tão vulnerável.

Uma coisa esse carnaval me possibilitou. Conhecer-te mais como ser humano, que se permite emocionar, chorar e indignar. 

Roubo de cueca


Você me tenta e não resisto,
Você me morde e me arrepio,
Eu meto e você geme,
Eu gozo e você gargalha.
Vacilo e carregas minha cueca.
O que alguém faria com uma velha cueca gozada?